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sábado, 17 de outubro de 2009

Aprendizagem

 

Os caracteres chineses acima representam a palavra “aprendizagem”. O primeiro quer dizer “estudo”´, e tem duas partes: o símbolo que significa “acumular conhecimento”, sobre o símbolo de uma criança em uma porta. O segundo caractere significa “praticar constantemente”, e mostra um pássaro desenvolvendo a habilidade de deixar o seu ninho. O símbolo de cima representa o vôo, o de baixo, a juventude. Para a mente oriental, a aprendizagem é contínua. “Estudo” e “prática constante” juntos sugerem o que a aprendizagem significa: “domínio do caminho de auto-desenvolvimento”.                  
Peter Senge


terça-feira, 14 de julho de 2009

O MILHO PREMIADO E A “POLINIZAÇÃO DO CONHECIMENTO”



Photo by docman modified by Niro

O MILHO - I

Há algum tempo um e-mail tem percorrido as caixas-postais de várias pessoas trazendo uma história simples e interessante. Contudo, absortos em nosso cotidiano, raramente nos dispomos ou temos tempo para pensar, haja vista a excessiva quantidade de informações a que somos submetidos. Utilizei essa história para instigar meus alunos do curso de Administração a pensarem sistemicamente sobre o assunto e, claro, houve uma grande polêmica. Face isso, resolvi escrever este artigo colocando meu posicionamento, bem como, levantando algumas outras questões para discussão.

O MILHO - II

Esta é a história de um fazendeiro bem sucedido. Ano após ano, ele ganhava o troféu "Milho Gigante" da feira da agricultura do município. Entrava com seu milho na feira e saía com a faixa azul recobrindo seu peito. E o seu milho era cada vez melhor. Numa dessas ocasiões, um repórter de jornal, ao abordá-lo após a já tradicional colocação da faixa, ficou intrigado com a informação dada pelo entrevistado sobre como costumava cultivar seu qualificado e valioso produto. O repórter descobriu que o fazendeiro compartilhava as sementes do seu milho gigante com os vizinhos. "Como pode o senhor dispor-se a compartilhar sua melhor semente com seus vizinhos quando eles estão competindo com o seu em cada ano?" - indagou o repórter. O fazendeiro pensou por um instante, e respondeu: "Você não sabe? O vento apanha o pólen do milho maduro e o leva através do vento de campo para campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade do meu milho. Se eu quiser cultivar milho bom, eu tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom."
Ele era atento às conectividades da vida...

O MILHO - III

Análise Sistêmica

A “moral” primária da história é que o fazendeiro, além de estar praticando um ato de contribuição para com seus vizinhos, ainda “colhe” os resultados desse processo. Mas, será que o fazendeiro é tão “bonzinho” e “inteligente” assim? Pensemos sistemicamente! Elaborei uma resposta padrão com três soluções simples que, acredito, atendem ao enunciado do caso.

O MILHO - IV


Solução 1


Essa primeira solução supõe que o fazendeiro tenha adquirido (não importa a forma) sementes de milho de alta qualidade (e não-híbrido) uma única vez. A cada safra ele selecionaria as melhores sementes para replantá-las e distribuí-las aos vizinhos.
solução1

O MILHO - V

Solução 2

A única diferença dessa segunda solução para a primeira é a hipótese do fazendeiro não separar parte da produção para replantar, mas, todos os anos, adquirir novas sementes tanto para uso próprio como para compartilhar com os vizinhos.



O MILHO - VI

Vantagens e desvantagens dessas duas soluções!

A vantagem da primeira solução em relação à segunda é a de que o custo, provavelmente, seria muito menor. A desvantagem é que, com o passar dos anos, poderia ocorrer uma queda lenta e contínua na qualidade do milho em função, por exemplo, da diminuição de nutrientes do solo e/ou da sazonalidade do clima.
Comprando sementes de fornecedores especializados (segunda solução), o fazendeiro não correria o risco de ficar defasado em relação aos avanços tecnológicos (e às intempéries), especialmente em genética, e todos seriam beneficiados .

Problemas básicos das duas soluções:

1. Supõem que o efeito de polinização é igualmente distribuído entre todas as plantações, sendo considerado, portanto, o efeito multiplicador igual a 1 (por hipótese, deveria ser menor;

2. Como conseqüência, todo o milho da região passaria a ter uma qualidade ótima. Se todas as produções viessem a ter a mesma qualidade, essa passa a ser a questão fundamental: por que o fazendeiro é quem ganha o prêmio todos os anos?

O MILHO - VII

Por que o fazendeiro é quem ganha o prêmio todos os anos?
A resposta para esta questão pode envolver várias hipóteses. Vejamos duas delas:

1. O fazendeiro utilizaria técnicas melhores de cultivo;

2. Os vizinhos do fazendeiro, supostamente influenciando ou fazendo parte do júri, lhe dariam o prêmio como uma forma de recompensar sua “benevolência” em compartilhar as sementes.

Para não criarmos múltiplos diagramas, vejamos apenas a segunda hipótese que, em termos de pensamento sistêmico, considero a mais aceitável (embora não seja a única).

solução3



O MILHO - VIII

Considerações adicionais

O primeiro fator que me levou a aprofundar neste caso (ou melhor, “historinha”) foi tentar compreender o processo de polinização do milho. É comum dizermos em Minas Gerais (será que em outros Estados do Brasil também?) que: “uma coisa leva à outra”. Só agora percebi o alcance desse dito popular, embora seja linear, a princípio.

Considere:

1. O que acontece quando um membro de uma equipe decide compartilhar integralmente seus conhecimentos entre os demais?

2. Haverá uma equalização destes conhecimentos entre todos os membros?

3. Quais são as limitações?

4. A pessoa que compartilhou seus conhecimentos receberia o mesmo reconhecimento dos “vizinhos do fazendeiro”?

5. O pensamento sistêmico tem como base os padrões de comportamento da natureza (não generalizar e nem tomar ao “pé da letra”). Se nos aprofundarmos na questão abordada por esta simples história, poderíamos encontrar bases científicas inovadoras na área de gestão de equipes?Para tanto, veremos a seguir algumas informações sobre a polinização do milho que, por analogia, podem subsidiar uma pesquisa sobre “Polinização do Conhecimento”.

O MILHO - X

Por que o milho é favorável ao desenvolvimento de um modelo?

1. Porque no milho, a polinização pode ser cruzada, chamada também de alogamia. “Na natureza, esse tipo de polinização é o mais vantajoso, já que possibilita a formação de novas combinações genéticas que favorecem a formação de sementes, originando novas plantas, mais vigorosas e produtivas.”
Fonte: http://www.aultimaarcadenoe.com/biologia7g.htm (acesso em 19/11/2006).

2. Porque o milho é uma Monoicia, ou seja, suas flores são unissexuais. Isso significa que para gerar frutos ele é capaz de fecundar a si mesmo bem como a outras plantas.
Fonte: http://www.aultimaarcadenoe.com/biologia7g.htm (acesso em 19/11/2006).

3. Porque o milho é sujeito a diferentes tipos de polinização: vento, animais e insetos. Qual a influência de cada um? Seria possível uma analogia com os processos de comunicação e/ou linguagem?
Fonte: http://www.ufv.br/dbg/bee/flora.htm (acesso em 20/11/2006).

4. Porque a área de atuação do milho (bem como dos indivíduos) é limitada. No caso do milho do fazendeiro, as pesquisas científicas demonstram que, para que a história tenha fundamento, sua propriedade deve ter no máximo a 9 Km de distância da dos vizinhos.
Fonte: http://www.opalc.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=94&Itemid=2 (acessado em 20/11/2006).

5. Porque as questões levantadas sobre o milho remetem à ampla criação de novas espécies genéticas que estão se constituindo em risco para o meio-ambiente e para os negócios – “O plantio anárquico de milho transgênico pode colocar em risco a avicultura e suinocultura que dependem de exportação. Mercados importadores de aves e suínos não aceitam alimentação transgênica na produção destas carnes.”
Fonte: http://www.opalc.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=94&Itemid=2 (acesso em 20/11/2006).

Por analogia, não estariam as empresas, também, criando indivíduos “transgenicamente modificados” que podem vir a prejudicar o meio-ambiente empresarial?

O MILHO - XI

O objetivo deste artigo, publicado aqui numa série de posts, é realizar uma pesquisa e construir um modelo quantitativo que se aproxime o máximo possível da realidade para tentar responder a estas questões. O próximo artigo que escreverei a respeito deverá contemplar os resultados da pesquisa e simulações do modelo, de modo que possamos responder à questão final...
É possível criar uma metodologia de “Polinização do Conhecimento"?

Artigo originalmente publicado no blog da Maria Sistemista

terça-feira, 7 de julho de 2009

Neri Oxman: fazendo diferença



Neri Oxman é PhD em Design and Computation no Massachusetts Institute of Technology. Ela tem criticado a homogeinidade e repetição do design atual e debatido sobre os caminhos naturais para os processo de criação em arquitetura.

Seu trabalho está mostrado no Museu de Arte Moderna de Nova York - MoMA, passanto a fazer parte da coleção. É detentora de múltiplos prêmios incluindo o "Earth Award for Future Crucial Design", HOLCIM Next Generation Award for Sustainable Construction, o Graham Foundation Carter Manny Award, o AICF Award of Excellence, e outros.

Além de palestras em diferentes países e universidades, possui uma ampla publicação posicionando o design como uma interface intelectual e produtiva entre a ciência e a arte.

Os interesses de Neri são voltados para aplicações digitais avançadas em arquitetura, contribuindo para a geração de um novo paradigma criador. Atualmente, desenvolve sua pesquisas nos laboratórios de mídia do MIT, tentando estabelecer novas formas de conhecimento em design e novas interfaces nas áreas de viência da computação, engenharia, biologia e ecologia.

Monocoque, o nome da imagem abaixo, é uma membrana vazada criada por meio de algoritmos no computador e construída por meio de impressoras 3D. Criando matriais totalmente inusitados, Neri Oxman tem por objetivo provar que tecnologia e natureza podem viver em perfeita harmonia. Para completar, foi selecionada como uma das 100 pessoas mais criativas do mundo pela Fast Company.






Crédito das fotos: Fast Company