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terça-feira, 14 de julho de 2009

O MILHO PREMIADO E A “POLINIZAÇÃO DO CONHECIMENTO”



Photo by docman modified by Niro

O MILHO - I

Há algum tempo um e-mail tem percorrido as caixas-postais de várias pessoas trazendo uma história simples e interessante. Contudo, absortos em nosso cotidiano, raramente nos dispomos ou temos tempo para pensar, haja vista a excessiva quantidade de informações a que somos submetidos. Utilizei essa história para instigar meus alunos do curso de Administração a pensarem sistemicamente sobre o assunto e, claro, houve uma grande polêmica. Face isso, resolvi escrever este artigo colocando meu posicionamento, bem como, levantando algumas outras questões para discussão.

O MILHO - II

Esta é a história de um fazendeiro bem sucedido. Ano após ano, ele ganhava o troféu "Milho Gigante" da feira da agricultura do município. Entrava com seu milho na feira e saía com a faixa azul recobrindo seu peito. E o seu milho era cada vez melhor. Numa dessas ocasiões, um repórter de jornal, ao abordá-lo após a já tradicional colocação da faixa, ficou intrigado com a informação dada pelo entrevistado sobre como costumava cultivar seu qualificado e valioso produto. O repórter descobriu que o fazendeiro compartilhava as sementes do seu milho gigante com os vizinhos. "Como pode o senhor dispor-se a compartilhar sua melhor semente com seus vizinhos quando eles estão competindo com o seu em cada ano?" - indagou o repórter. O fazendeiro pensou por um instante, e respondeu: "Você não sabe? O vento apanha o pólen do milho maduro e o leva através do vento de campo para campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade do meu milho. Se eu quiser cultivar milho bom, eu tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom."
Ele era atento às conectividades da vida...

O MILHO - III

Análise Sistêmica

A “moral” primária da história é que o fazendeiro, além de estar praticando um ato de contribuição para com seus vizinhos, ainda “colhe” os resultados desse processo. Mas, será que o fazendeiro é tão “bonzinho” e “inteligente” assim? Pensemos sistemicamente! Elaborei uma resposta padrão com três soluções simples que, acredito, atendem ao enunciado do caso.

O MILHO - IV


Solução 1


Essa primeira solução supõe que o fazendeiro tenha adquirido (não importa a forma) sementes de milho de alta qualidade (e não-híbrido) uma única vez. A cada safra ele selecionaria as melhores sementes para replantá-las e distribuí-las aos vizinhos.
solução1

O MILHO - V

Solução 2

A única diferença dessa segunda solução para a primeira é a hipótese do fazendeiro não separar parte da produção para replantar, mas, todos os anos, adquirir novas sementes tanto para uso próprio como para compartilhar com os vizinhos.



O MILHO - VI

Vantagens e desvantagens dessas duas soluções!

A vantagem da primeira solução em relação à segunda é a de que o custo, provavelmente, seria muito menor. A desvantagem é que, com o passar dos anos, poderia ocorrer uma queda lenta e contínua na qualidade do milho em função, por exemplo, da diminuição de nutrientes do solo e/ou da sazonalidade do clima.
Comprando sementes de fornecedores especializados (segunda solução), o fazendeiro não correria o risco de ficar defasado em relação aos avanços tecnológicos (e às intempéries), especialmente em genética, e todos seriam beneficiados .

Problemas básicos das duas soluções:

1. Supõem que o efeito de polinização é igualmente distribuído entre todas as plantações, sendo considerado, portanto, o efeito multiplicador igual a 1 (por hipótese, deveria ser menor;

2. Como conseqüência, todo o milho da região passaria a ter uma qualidade ótima. Se todas as produções viessem a ter a mesma qualidade, essa passa a ser a questão fundamental: por que o fazendeiro é quem ganha o prêmio todos os anos?

O MILHO - VII

Por que o fazendeiro é quem ganha o prêmio todos os anos?
A resposta para esta questão pode envolver várias hipóteses. Vejamos duas delas:

1. O fazendeiro utilizaria técnicas melhores de cultivo;

2. Os vizinhos do fazendeiro, supostamente influenciando ou fazendo parte do júri, lhe dariam o prêmio como uma forma de recompensar sua “benevolência” em compartilhar as sementes.

Para não criarmos múltiplos diagramas, vejamos apenas a segunda hipótese que, em termos de pensamento sistêmico, considero a mais aceitável (embora não seja a única).

solução3



O MILHO - VIII

Considerações adicionais

O primeiro fator que me levou a aprofundar neste caso (ou melhor, “historinha”) foi tentar compreender o processo de polinização do milho. É comum dizermos em Minas Gerais (será que em outros Estados do Brasil também?) que: “uma coisa leva à outra”. Só agora percebi o alcance desse dito popular, embora seja linear, a princípio.

Considere:

1. O que acontece quando um membro de uma equipe decide compartilhar integralmente seus conhecimentos entre os demais?

2. Haverá uma equalização destes conhecimentos entre todos os membros?

3. Quais são as limitações?

4. A pessoa que compartilhou seus conhecimentos receberia o mesmo reconhecimento dos “vizinhos do fazendeiro”?

5. O pensamento sistêmico tem como base os padrões de comportamento da natureza (não generalizar e nem tomar ao “pé da letra”). Se nos aprofundarmos na questão abordada por esta simples história, poderíamos encontrar bases científicas inovadoras na área de gestão de equipes?Para tanto, veremos a seguir algumas informações sobre a polinização do milho que, por analogia, podem subsidiar uma pesquisa sobre “Polinização do Conhecimento”.

O MILHO - X

Por que o milho é favorável ao desenvolvimento de um modelo?

1. Porque no milho, a polinização pode ser cruzada, chamada também de alogamia. “Na natureza, esse tipo de polinização é o mais vantajoso, já que possibilita a formação de novas combinações genéticas que favorecem a formação de sementes, originando novas plantas, mais vigorosas e produtivas.”
Fonte: http://www.aultimaarcadenoe.com/biologia7g.htm (acesso em 19/11/2006).

2. Porque o milho é uma Monoicia, ou seja, suas flores são unissexuais. Isso significa que para gerar frutos ele é capaz de fecundar a si mesmo bem como a outras plantas.
Fonte: http://www.aultimaarcadenoe.com/biologia7g.htm (acesso em 19/11/2006).

3. Porque o milho é sujeito a diferentes tipos de polinização: vento, animais e insetos. Qual a influência de cada um? Seria possível uma analogia com os processos de comunicação e/ou linguagem?
Fonte: http://www.ufv.br/dbg/bee/flora.htm (acesso em 20/11/2006).

4. Porque a área de atuação do milho (bem como dos indivíduos) é limitada. No caso do milho do fazendeiro, as pesquisas científicas demonstram que, para que a história tenha fundamento, sua propriedade deve ter no máximo a 9 Km de distância da dos vizinhos.
Fonte: http://www.opalc.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=94&Itemid=2 (acessado em 20/11/2006).

5. Porque as questões levantadas sobre o milho remetem à ampla criação de novas espécies genéticas que estão se constituindo em risco para o meio-ambiente e para os negócios – “O plantio anárquico de milho transgênico pode colocar em risco a avicultura e suinocultura que dependem de exportação. Mercados importadores de aves e suínos não aceitam alimentação transgênica na produção destas carnes.”
Fonte: http://www.opalc.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=94&Itemid=2 (acesso em 20/11/2006).

Por analogia, não estariam as empresas, também, criando indivíduos “transgenicamente modificados” que podem vir a prejudicar o meio-ambiente empresarial?

O MILHO - XI

O objetivo deste artigo, publicado aqui numa série de posts, é realizar uma pesquisa e construir um modelo quantitativo que se aproxime o máximo possível da realidade para tentar responder a estas questões. O próximo artigo que escreverei a respeito deverá contemplar os resultados da pesquisa e simulações do modelo, de modo que possamos responder à questão final...
É possível criar uma metodologia de “Polinização do Conhecimento"?

Artigo originalmente publicado no blog da Maria Sistemista

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Por que as pessoas fazem "tim-tim" (brindam)?



Photo by Manuel M. Ramos

Conta a lenda que o serviço do vinho dever obedecer os procedimentos abaixo:

1. Deve ser servido em uma taça de cristal ergonômica para agradar ao tato;

2. A taça deve ser transparente e com um belo design, para que possamos aprecia-lá, bem como, a cor do vinho, agradando asssim, à visão. Ah, não vamos esquecer o ditado espanhol: "si non llora el vino lloro yo";

3. O vinho deve ter um ótimo bouquet, para agradar ao olfato;

4. O vinho dever ser excelente, para agradar ao paladar;

5. Enfim, faltou agradar a audição. Então, "tim-tim!.

O texto é meu mas descconheço o autor da idéia original. Se alguém souber me comunique, por favor.

Lembro que todas as imagens e textos que não são de minha autoria nesse blog, seguem os preceitos da Creative Commons Brasil.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Neri Oxman: fazendo diferença



Neri Oxman é PhD em Design and Computation no Massachusetts Institute of Technology. Ela tem criticado a homogeinidade e repetição do design atual e debatido sobre os caminhos naturais para os processo de criação em arquitetura.

Seu trabalho está mostrado no Museu de Arte Moderna de Nova York - MoMA, passanto a fazer parte da coleção. É detentora de múltiplos prêmios incluindo o "Earth Award for Future Crucial Design", HOLCIM Next Generation Award for Sustainable Construction, o Graham Foundation Carter Manny Award, o AICF Award of Excellence, e outros.

Além de palestras em diferentes países e universidades, possui uma ampla publicação posicionando o design como uma interface intelectual e produtiva entre a ciência e a arte.

Os interesses de Neri são voltados para aplicações digitais avançadas em arquitetura, contribuindo para a geração de um novo paradigma criador. Atualmente, desenvolve sua pesquisas nos laboratórios de mídia do MIT, tentando estabelecer novas formas de conhecimento em design e novas interfaces nas áreas de viência da computação, engenharia, biologia e ecologia.

Monocoque, o nome da imagem abaixo, é uma membrana vazada criada por meio de algoritmos no computador e construída por meio de impressoras 3D. Criando matriais totalmente inusitados, Neri Oxman tem por objetivo provar que tecnologia e natureza podem viver em perfeita harmonia. Para completar, foi selecionada como uma das 100 pessoas mais criativas do mundo pela Fast Company.






Crédito das fotos: Fast Company

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Teste de Criatividade


© Photo by Carol

Antes de mais nada é bom esclarecer que não sou nenhum especialista em criatividade, não me destaco por isso, mas tenho muita curiosidade sobre o assunto.

Nesse sentido, estava procurando um teste com fundamentação científica sobre criatividade e, ocasionalmente, que contivesse algumas orientações sobre como desenvolver o potencial criativo.

E não é que na primeira tentativa dei de cara com meu "web-amigo" Tony Buzan? Explico: conheci o Buzan na Internet há mais de dez anos, quando pesquisava sobre mapas mentais. Ele foi um dos precursores dessa área e se deu muito bem. Confesso que não sou muito fã dele pois imprime um tom elevadamente comercial aos seus produtos.

Mesmo assim, fui em busca de seu livro "O Poder da Inteligência Criativa" no Google Books. Logo nas primeiras páginas havia um teste, mas achei muito precário e sem fundamentação.

Continuando a busca encontrei uma reportagem da Scientic American intitulada "How to Unleash Your Creativity" (Como liberar sua Criatividade). Se tratava, na verdade, de uma entrevista com três experts em criatividade, cada um com background e visões diferentes.

Um deles é Robert Epstein, acadêmico visitante da Universidade da California, San Diego. É também editor colaborador da Scientific American Mind e editor chefe da Psychology Today. Epstein tem escrito vários livros sobre criatividade, incluindo The Big Book of Creativity Games (McGraw-Hill, 2000).

Pois bem, o Prof. Epstein criou um site (em inglês/espanhol) no qual você pode testar sua criatividade obtendo, além de um índice de criatividade (score), um relatório sobre quatro diferentes áreas de habilidades para expresssão da criatividade.

Como afirmei no início, minha criatividade é bem mediana, tanto que o resultado que obtive foi de 55%, assim distribuídos:
- Preserve New Ideas: 38%
- Seeks Challenges: 46%
- Broadens Skills & Knowledge: 88%
- Changes Environment: 50%

Se não tive um bom desempenho no teste creio que posso compensar enaltecendo minha honesttidade (ao realizar o teste), meu autoconhecimento (prevendo o resultado) e minha coragem (publicando). rssss

Pois bem, convido-os a fazerem o teste e deixarem seus comentários. Apontem seu navegador para Epstein Creativity Competencies Inventory for Individuals (ECCI-i) ou Inventario Epstein de Competencias de Creatividad para individuos (ECCI-i.

Aproveite que está navegando, passse na página do Prof. Epstein e façam download gratuito do e-book "Creativity for Crisis" com dicas curtas e pontuais.

O Prof. Epstein tem vários outros testes, o que me incomodou um pouco, mais uma vez pelo aspecto comercial. Relevei porque gostei do teste e da análise, além de ser um autor com muitos predicados acadêmicos. Se alguém quiser tentar algum outro, existem diferentes tipos, indo de "Competências no Amor" até "Orientação Sexual". Para escolher é só clicar aqui.

Criatividade

© Montagem by Niro

Ideias novas surgem de um processso denominado CRIATIVIDADE. Vou tentar fazer um pequeno resumo do que eu compreendo sobre isso. Posteriormente o assunto poderá ser estendido através da citação de fontes científicas e/ou empíricas.

O mais importante para mim é a questão da exposição. Quanto mais somos expostos a novos ambientes, novas culturas, novas formas, combinações, sons, signos, etc., mais cresce o potencial de desenvolvermos novas idéias. A razão é simples: nos dias atuais a maioria das idéias vem da combinação de outras idéias do passado, um processo denominado incremental. O meio acadêmico é um ótimo exemplo: os pesquisadores são motivados a publicarem os resultados de suas pesquisas porque isso lhes trás notoriedade e pontuação no currículo. Por outro lado, a exposição de seus trabalhos pode servir de ponto-de-partida para outros pesquisadores criarem ou aperfeiçoarem a pesquisa.

Eu vivenciei esse processo durante a faculdade, mas de maneira não intencional. Apaixonado por fotografia, sempre que possível procurava chegar mais cedo na faculdade para pooder ir à biblioteca. No subsolo havia uma enorme estante com centenas de revistas e livros sobre fotografias. Espero que vocês não estejam imaginando que eu me dedicava a ler técnicas fotográficas porque o que eu fazia era simplesmente folhear os exemplares e ir vendo as fotografias, sem me prender muito a detalhes.

O resultado foi que, após um ano praticando esse tipo de exercício, que me dava grande prazer, notei que tinha muito mais elementos na mente para compor uma fotografia do que eu poderia imaginar: simplesmente eu havia subjetivado uma série de composições que foram trabalhadas em meu inconsciente e retornavam no momento do clique. E mais, não eram cópias, mas novos arranjos misturando, sei lá, um Cartier-Breasson com um Pedro Martinelli, por exemplo.

O tempo passou e a fotografia deixou de ser minha primeira paixão. Ao interromper por anos a prática semanal de ver, observar e fotografar, acabei "emburrecendo" e hoje tento recuperar traços da criatividade perdida. Muito provavelmente ela foi sucumbida a um outro processo denominado "apoptose" ou "morte celular programada". Mas isso é assunto para outro post.