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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Ipê Mulher
Cavucos insistentes em um lugar qualquer
A escavadeira bruta não rompe o solo
Temo não concluir o signo da mulher
Olho em volta em busca de consolo
Que faço nessa montanha, peito molhado, cansado
Busca de sonho,busca de ser e existir, busca...
O esforço é enorme, suor de alma, evidenciado
Ainda que a vista seja longa, o pensar ofusca
Uma gota escorre da testa. Arde e turva meus olhos
Ainda assim, perto de mim, uma mancha de solo fresco
A cavadeira retira rápido a terra a ser devolvida
No buraco exposto da terra ferida, coloco meu afresco
Um muda de ipê dourado desejando que adulta, grite
Porque sua beleza não se resume nos modos do ver
Flores amarelas gritam no coração de quem admite
E coração escuta mais do que se pode aperceber
Feita a obra, terra devolvida, ferida sanada
Obra entregue com feitio de mulher, plantada!
Guardo a escavadeira. Nas mãos, marca ralada
Viro as costas e desço trilha. Obra terminada!
By Niro. Brasília, 18/10/2010
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terça-feira, 22 de junho de 2010
Amor Tecido
Cuidando de suas almas,
O feitor de sincronias,
Sincronizou os fios em sua palmas,
E os guiou, enlaçando duas crias.
Imenso trabalho de sincronia
Duas pessoas complexas nas Internetes
Almas díspares com fome de harmonia
Guiadas então, sim e não, como marionetes.
Sim, porque a busca lhes pertence
Mas, contraria a razão que esmorece
Subjugada à emoção, lhes vence
E no cruzamento dos fios, acontece.
Não, porque liberdade lhes compete
A busca é um prato individual
Não se parte comida interna que se tece
Apenas se como junto, amor ritual.
Complexidade? Foram cores do céu,
Ajudar esse feitor errante,
Esculpindo seu amores com cinzel
Tarefa que faz a todo instante.
Feito o trabalho errante,
Deixa, o feitor, os nós de sua teia
Com seu olhar cínico e marcante
Espera que, com o tempo, cada um a leia.
E ri e se diverte o safado
Vendo suas crias brilhantes
Desatarem nós malfadados
Em jogos e sonhos delirantes.
Espia, mas não se intromete
Pois sabe que só a eles compete
Distinguir o que é importante
E desprezar, os nós menos significantes.
Sabe que amar não são nós a desatar
E que a complexidade é presente e porvir
Apresentam-se novas formas de se relacionar
Nós verdadeiros a enlaçar... e redes a construir.
O feitor de sincronias,
Sincronizou os fios em sua palmas,
E os guiou, enlaçando duas crias.
Imenso trabalho de sincronia
Duas pessoas complexas nas Internetes
Almas díspares com fome de harmonia
Guiadas então, sim e não, como marionetes.
Sim, porque a busca lhes pertence
Mas, contraria a razão que esmorece
Subjugada à emoção, lhes vence
E no cruzamento dos fios, acontece.
Não, porque liberdade lhes compete
A busca é um prato individual
Não se parte comida interna que se tece
Apenas se como junto, amor ritual.
Complexidade? Foram cores do céu,
Ajudar esse feitor errante,
Esculpindo seu amores com cinzel
Tarefa que faz a todo instante.
Feito o trabalho errante,
Deixa, o feitor, os nós de sua teia
Com seu olhar cínico e marcante
Espera que, com o tempo, cada um a leia.
E ri e se diverte o safado
Vendo suas crias brilhantes
Desatarem nós malfadados
Em jogos e sonhos delirantes.
Espia, mas não se intromete
Pois sabe que só a eles compete
Distinguir o que é importante
E desprezar, os nós menos significantes.
Sabe que amar não são nós a desatar
E que a complexidade é presente e porvir
Apresentam-se novas formas de se relacionar
Nós verdadeiros a enlaçar... e redes a construir.
By Niro
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sexta-feira, 4 de junho de 2010
Marihê na Madrugada
Marihê na madrugada olha a parede
Por onde viaja Marihê nessa pintura linear?
Fosse um quadro ou outra forma, uma rede?
Talvez eu pudesse entender esse estranho olhar
Mesmo as paredes mais bem pintadas e linda
Guardam segredos de suas aparentes perfeições
Não, Marihê não procura defeitos, só emoções infindas
Porque somente uma mulher como ela lê paixões
Paixões que não foram escritas nas paredes pintadas
Marihê parece amar a tinta seca e assisti detalhes
Olha, sonha e compõe histórias emaranhadas
De um lugar, uma pessoa, um viver e um sonho
Nessa noite, Marihê está sozinha ensimesmada
Histórias não escritas, que nesse soneto componho
By Niro
sábado, 22 de maio de 2010
O Ver e o Olhar na W3
Sempre fui apaixonado pela fotografia. Na faculdade, chegava uma hora antes para folhear livros e revistas. Nunca imaginei que todas aquelas imagens foram assimiladas e reorganizadas pelo meu inconsciente. Eu começava a aprender a olhar, mais do que ver. Formas, cores, cheiros, superfícies e tantas outras sensações foram classificadas em uma ordem desconhecida em mmeu inconsciente.
Revendo algumas fotos que fiz, observo signos não de um, mas um mosaico dessa autopoiese recompilada. Depois de minha viagem 5 minutos ao continente velho (durou 30 dias mas, foi uma viagem cartão-postal) percebi que minha imagética era linear. Fui fazer um curso, não de fotografia, mas de "olhar" com FAYGA OSTROWER. A técnica fotógrafica linear eu dominei sozinho.
Ainda assim, meu racionalismo de então bloqueava o fluxo tentava escoar do meu inconsciente. Na maioria das minhas fotos está presente o VER e não o OLHAR. Então apareceu ANA K. e me apresentou a W3. O que deveria ser um corredor cultural em Brasília, ainda hoje é um corredor de oficinas, peças e aacessórios para automóveis.
Ana K. me alertou sobre totens com mosaicos montados na W3. Eu os tinha visto várias vezes, mas nunca olhado. Prometi a ela um percurso fotográfico pela avenida, não cumprido. Artistas pláticos, como Ana K. ou minha amiga Andrea Rosenfeld parecem que têm o OLHAR no DNA. O tempo passou e o Governo do Distrito Federal - GDF derrubou todos os totens. A princípio fiquei arrasado, não podia fazer mais nada.
Pouco tempo depois, vi que o GDF tinha razão. Os totens, com poesias em mosaico, atrapalhavam a mobilidade das pessoas, especialmente deficientes. Os poetas também compreenderam isso e refizeram e fizeram novos mosaicos no chão e nas paredes. Aguçado pelo desafio de Ana K., finalmente olhei e fotografei alguns dos mosaicos. O do topo foi escrito em "brasilianês"" e, possivelmente, não compreenderão. São poucas Suzanas na W3.
Esse, talvez seja mais compreensível:
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sábado, 17 de outubro de 2009
O Eleva-Dor
O Elevador
Elevador não significa “elevar a dor”
Como não há aprendizagem sem dor
A palavra canta e conta por mim
Não precisamos pegar elevadores
A vida nos permite seguir pelas escadas
Tudo planejado, métrico, previsível
Pelas escadas, com tudo planejado
É possível chegar onde desejarmos
Seja para cima, seja para baixo
A decisão é sempre nossa: subir, descer ou
Simplesmente ficar parado ignorando
As pessoas que viajam através e por “nós”
O elevador que eu conheço é diferente
Ele também sobe, desce... mas, é diferente
Não sei quem o construiu, mas acredito nele
Encontrar a porta aberta é tarefa de busca
De um elevador descansando e esperando
Entrarmos nele e tomarmos, ou não, atitudes!!!
Quando ausentes de desejos e metas
Na verdade, é o mesmo que deixar que outros decidam
Se, em nossas vidas, vamos subir ou descer
Mas sempre existirá uma botoneira
Nesse elevador maluco que conheci
E nessa botoneira não há números, apenas sinais
Mas os sinais da botoneira deste nosso elevador
Só aparecem para os que percebem a vida
Se entregando a ela, para andares desconhecidos
Pelo livre desejo de ser, existir e arriscar
Para poder ver os sinais é preciso sentir
Amor por nós, pelo outro, pela aventura
Aliás, com menos que isso, não existe nenhum elevador
Para baixo não significa ser menor
Mas para aprender, precisamos nos fazer menores
Um amigo nosso, lá de Assis, na Itália, falava disso
Todos nós, um dia, iremos para baixo...
“Tu és pó e ao pó retornarás”
O nosso elevador só existe em nossa fé
Que é o mesmo que acreditar em nós mesmos
A caneta do “destino” está em nossos dedos!!!
Ele não apenas sobe e desce, esse elevador que conheci
Ele dá voltas pelo universo e portas abertas a todo o momento,
Para quem quiser entrar ou... para quem quiser sair!!!
Ele não garante que iremos para o lugar desejado
Ele não garante que vamos encontrar o andar da felicidade
Ou o andar da paz! Ele só nos garante uma coisa: o "andar"...
By Niro – Bragança Paulista (09/10/2008)
Elevador não significa “elevar a dor”
Como não há aprendizagem sem dor
A palavra canta e conta por mim
Não precisamos pegar elevadores
A vida nos permite seguir pelas escadas
Tudo planejado, métrico, previsível
Pelas escadas, com tudo planejado
É possível chegar onde desejarmos
Seja para cima, seja para baixo
A decisão é sempre nossa: subir, descer ou
Simplesmente ficar parado ignorando
As pessoas que viajam através e por “nós”
O elevador que eu conheço é diferente
Ele também sobe, desce... mas, é diferente
Não sei quem o construiu, mas acredito nele
Encontrar a porta aberta é tarefa de busca
De um elevador descansando e esperando
Entrarmos nele e tomarmos, ou não, atitudes!!!
Quando ausentes de desejos e metas
Na verdade, é o mesmo que deixar que outros decidam
Se, em nossas vidas, vamos subir ou descer
Mas sempre existirá uma botoneira
Nesse elevador maluco que conheci
E nessa botoneira não há números, apenas sinais
Mas os sinais da botoneira deste nosso elevador
Só aparecem para os que percebem a vida
Se entregando a ela, para andares desconhecidos
Pelo livre desejo de ser, existir e arriscar
Para poder ver os sinais é preciso sentir
Amor por nós, pelo outro, pela aventura
Aliás, com menos que isso, não existe nenhum elevador
Para baixo não significa ser menor
Mas para aprender, precisamos nos fazer menores
Um amigo nosso, lá de Assis, na Itália, falava disso
Todos nós, um dia, iremos para baixo...
“Tu és pó e ao pó retornarás”
O nosso elevador só existe em nossa fé
Que é o mesmo que acreditar em nós mesmos
A caneta do “destino” está em nossos dedos!!!
Ele não apenas sobe e desce, esse elevador que conheci
Ele dá voltas pelo universo e portas abertas a todo o momento,
Para quem quiser entrar ou... para quem quiser sair!!!
Ele não garante que iremos para o lugar desejado
Ele não garante que vamos encontrar o andar da felicidade
Ou o andar da paz! Ele só nos garante uma coisa: o "andar"...
By Niro – Bragança Paulista (09/10/2008)
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Para uma mulher muito especial: Um Mosaico Cósmico!
Um mosaico cósmico
Será que pra te ver inteira terei que reunir fragmentos? Escalar suas pernas marcando cada passo com um beijo suave Escorrer como uma gota de licor de cassis por seu peito de lingerie noir... ... e como uma gota de champagne brut pela blusa entreaberta... Acaraciar teus pés com óleo de alecrim misturando teu cheiro selvagem de mulher ao mistério suave das ervas... Ler teus olhos ousando decifrar segredos Que jamais me serão revelados Ver que quando vir a mim no reflexo de seus óculos não estarei vendo mais nada que a ti porque tudo se mescla e se confunde mas não se funde para não sufocar Incansavelmente olhar o céu ao seu lado à procura das teias cósmicas que se entretecem para nos aproximar sem nos prender... Será que pra te ver inteira terei que reunir fragmentos? Das tuas palavras ora diretas, ora de subterfúgios, ora doces... ora molhadas de seu espírito... mulher... Não, acho que não... Meu mosaico já está pronto porque mesmo sem te ver te vejo inteira por querer... Niro
Brasília, 27 de junho de 2006
Dia de Brasil e Gana...
(por e para você!)
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Para fazer o retrato de um pássaro

Photo by © Niro
Para fazer o retrato de um pássaro
Jaques Prévert
Pintar primeiro a gaiola
com uma porta aberta.
Pintar em seguida
algo bonito
algo simples,
algo belo
algo útil para o pássaro
pôr em seguida a tela contra uma árvore
num jardim
num monte
ou num bosque.
Esconder-se atrás da árvore
sem dizer nada
sem se mexer...
Às vezes o pássaro chega logo
mas também pode demorar longos anos
antes de se decidir
Não tem que desanimar
é preciso esperar
esperar anos se necessário.
A rapidez ou a lentidão da chegada do pássaro não tem relação com o sucesso da pintura.
Quando o pássaro chegar
se chegar
é preciso ficar no silêncio mais profundo esperar que o pássaro entre na gaiola e quando tiver entrado é preciso fechar docemente a porta com o pincel.
Depois,
apagar uma por uma as grades
tendo cuidado de não tocar nenhuma das penas do pássaro.
Fazer em seguida o retrato da árvore
e escolher o mais belo de seus ramos
para o pássaro.
Pintar também o verde da folhagem e a frescura do vento o pó do sol e o som dos insetos da vegetação no calor do verão.
E depois esperar que o pássaro decida cantar.
Se o pássaro não cantar
é mau sinal
sinal de que a pintura é ruim
mas se cantar é bom sinal
sinal de que se pode assinar.
Então arranque docemente
uma das penas do pássaro
e ponha seu nome num dos cantos do quadro.
Poema enviado por Sandra Bittencourt - Obrigado linda!
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