Photo by © Niro
Vivemos numa época de indiferença e desdém para com o próximo. O combustível primordial hoje é a vaidade pessoal, a necessidade de reconhecimento a todo custo, a autopromoção. Nada mais em baixa que o sentimento de alteridade. Veja o episódio da moça da Uniban. Nunca vi nada mais grotesco no meio universitário. Lembrei-me dos escritos de Rabelais. Parecia um festival medieval de execração pública ou um deleite das massas diante de um pobre coitado submetido à humilhação generalizada, que remetia, por sua vez, aos espetáculos dos gladiadores romanos.
Quando entrei na USP, nos anos oitenta, estava em voga o visual punk, new wave, uns looks assustadores, mas fazia parte daquele meio, um código tácito de tolerar ou ignorar aquilo. Lamentável o nível a que chegamos. Que juventude é essa que não consegue conviver com a diversidade, logo num mundo onde ela é alardeada em verso e prosa? Ainda que a moça estivesse em trajes sumários e inadequados para o ambiente universitário, onde há um acento sobre questões de natureza intelectual, que direito aqueles alunos teriam de troçar e tripudiar sobre a moça? Lembrei-me de um texto contundente de Rubens Alves em que ele disseca a bestialidade da ação do homem dentro da massa. Ali, ele faz uma clara distinção entre o indivíduo moral e a massa amoral.
Sandra Bittencourt
----------------------------------------------------------------------
Corroborando Sandra, a foto que postei também é mini. A visão do TODO depende do alcance da mente de cada um! Alteridade é para poucos! Niro
