Mostrando postagens com marcador saúde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador saúde. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O tempo e a saúde sob a métrica da Dinâmica de Sistemas



Somos um projeto de vida: nascemos e morremos. Como medir o “tempo” de nossa existência? Mensurar o tempo é mensurar a história da humanidade. Contudo, a noção de tempo atual é fundamentada na filosofia cartesiana e newtoniana e, são poucos os capazes de superar essas dimensões, pela sua subjetividade.

“Temos nosso próprio tempo...” cantava Renato Russo. Você já encontrou o seu? O tempo de sua existência? Perceba como não é difícil construir seu “relógio pessoal” a partir dos instrumentos que começo a oferecer.

A Dinâmica de Sistemas - DS é uma área de estudos transdisciplinar (interpretação minha), criada por Jay Forrester, a partir da década de 50, no Massachusetts Institute of Technology – MIT. Suas maiores aplicações têm sido na área de gestão organizacional, mas como afirma a System Dynamics Society, aplica-se a qualquer campo de estudos. Aplica-se, portanto, a nós, gestores de nossa própria existência.

O que desejo transmitir é a idéia que o relógio que você usa determina o tempo de sua existência e que, esse tempo, é tudo o que você possui. O termo saúde, no título, é muito amplo. Pense assim: saúde é a “marca do MEU relógio” e MEU relógio tem o nome e o ritmo que eu desejar.

Saúde, então, é o que todos desejamos ter e, ela marca as horas, minutos e segundos de nossa existência terrena. Saúde física, mental, emocional, amorosa, familiar, profissional, etc., o significado é muito amplo. Mas é um termo que nos dá a lucidez necessária em um mundo cada vez mais complexo. Já tem um nome para sua existência? Ótimo, seu “relógio” existencial não tem pressa, não te oprime e você o constrói aos poucos.

Uma das premissas básicas da Dinâmica de Sistemas é de que “causa” e “efeito” podem ter uma longa margem de tempo entre si. A decisão que tomamos “hoje” como correta, pode nos prejudicar amanhã. Analise a imagem abaixo:



Uma pessoa sob forte pressão decidiu “derrubar” uma das “paredes” que lhe oprimia. O resultado da ação, sem tomar outras medidas, é óbvio e inevitável. Empresas famosas, profissionais de renome e pessoas, como qualquer um de nós, sucumbiram dessa forma. É a ausência de visão sistêmica, o desconhecimento de que o “efeito dominó” faz seu próprio tempo e se sobrepõe ao tempo de quem não o tem, “matando” notáveis experiências e existências.

Na vida cotidiana os exemplos são comuns! Que “horas” marca o relógio das doenças de quem fuma, de quem bebe demasiadamente, de quem não se exercita, enfim, para quem não se cuida? Não se cuidar é muito próximo de não se amar. E o caminho para se amar é o autoconhecimento, é a posse de seu próprio “relógio”.

São muitas “peças” para construir um marcador de tempo da existência. Construir um relógio necessita calma, concentração e dedicação. Explico um segundo princípio nesse nosso primeiro contato. Chama-se “Sucesso para quem tem sucesso”, um ciclo dinâmico que pode tomar diversos nomes, inclusive terríveis, como “Fracasso para quem se assume fracassado”.

É muito simples de entender. Exemplos: quanto mais uma pessoa tem poder, mais pessoas se interessam por ela e assim, ela ganha mais poder. A propaganda política é um exemplo real e ainda mais claro: a divisão do horário eleitoral é feita com base na representatividade dos partidos. Quanto mais deputados e senadores, maior o tempo que o TSE concede ao partido. É fácil entender porque os grandes partidos crescem e os pequenos nunca vão ter chance.

A tal “Lei da Atração” tem razões, mas ela foi buscar tudo isso no Pensamento Sistêmico e na Dinâmica de Sistemas. Preste atenção: sua vida não mudar se você acordar todas as manhãs, se olhar e no espelho e dizer “Eu sou um sucesso”! Sua vida pode tomar vários caminhos, entre eles, o do fracasso ou estagnação, é quase certo, se não se movimentar. O do sucesso (o que é sucesso?) exige muito trabalho, ação e paciência para esperar pelo retorno (chamamos isso de retroalimentação, em DS). Dê corda no seu relógio, pare de olhar as horas, e... de repente, você vai escutar batidas na porta!

Sucesso é coisa íntima. O meu “sucesso” será, quando me aposentar, ir morar em Andrequicé (MG), uma cidadezinha calma e tranqüila, terra de “Manuelzão”, personagem real de Guimarães Rosa. Cuidar da horta, fazer biscoitos no forno de barro, ter cachorros, ler livros que consumi e nunca li, prosear com os vizinhos, receber amigos... Não é apenas sucesso, é a minha fé, após realizar meu trabalho familiar e social. Conte-me sobre sua visão de “sucesso”! Terei prazer em te responder!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Psicossomático ou Psicogênico?

© Montagem by Niro

Confesso que eu usava o termo Psicossomático sempre que queria me referir a doenças cuja causa eu creditava a fatores psíquicos. Se você estiver disposto a atribuir a causa da doença UNICAMENTE a fatores psicológicos o termo correto é Psicogênico.

Psicossomático se refere a doenças de fundo psicológico em conjunto com outros intervenientes como alimentação, ambiente, atividade física, etc.

Quem explica é Ken Wilber em trecho de seu livro "Graça e Coragem - Espiritualidade e Cura na Vida e Morte de Treyakillam Wilber". Citando um outro livro de um renomado médico e pesquisador, Wilber faz uma boa definição dos termos:

"[...] Steven Locke e Douglas Colligan escreveram em The Healer Within (O Curador Interno), com efeito, toda doença tem um componente psicológico e todo processo de cura é afetado pela psicologia. Mas, continuam os autores, o problema é que as pessoas confundem o termo psicossomático, que significa que um processo de doença física pode ser afetado por fatores psicológicos, com o termo psicogênico, que significa que a doença é causada somente por fatores psicológicos. Os autores afirmam: "No sentido correto da palavra, toda doença pode ser considerada psicossomática; talvez seja a hora de aposentar definitivamente o termo psicossomático. [Porque] tanto o público como alguns médicos usam as palavras psicossomático (significando que a mente pode influenciar a saúde do corpo) e psicogênico (significando que a mente pode causar doenças no corpo) intercambiavelmente. Eles perderam de vista o verdadeiro significado de doença psicossomática." Como Roberto Ader sugere, "Não estamos falando sobre a causação das doenças mas sim da interação entre eventos psicossociais e condições biológicas pré-existentes."

Os próprios autores mencionam hereditariedade, estilo de vida, drogas, local, ocupação, idade e personalidade. É a interação de todos esses fatores – eu adicionaria fatores existenciais e espirituais – de todos os níveis que, juntos, parecem influenciar a causa e o curso das doenças físicas. Escolher um desses fatores e ignorar os demais é uma simplificação absurda."

O livro "The Healer Within" tem por base a nova ciência da psiconeuroimunologia. Trata-se de coisa séria. O autor principal, Dr. Steven Locke é professor de Psiquiatria da Escola de Medicina de Harvard e professor de Ciências da Saúde do Instiituto de Tecnologia de Massachusetts.

Volto a falar no livro de Wilber, "Graça e Coragem", que dizem ser leitura obrigatória, no próximo post.